sexta-feira, 15 de julho de 2011

Palavra Vazia

Convidou-se todo um município para uma festa e ela, simplesmente, não aconteceu. O povo são meus neurônios que, após sinapses de alegria, desnorteiam-se pelo não-festejo. O que os lábios proferem não condizem com as ações, o que transforma o amor numa simples palavra vazia. Se choveu, tem de se molhar. Sem nada, nu em pelo! E, hoje cedo, o céu estava bonito para  eu, nele, voar... Ainda está, com a rainha Luna redondinha lá em cima! Hum... Perder-me-ei por essa imensidão, cansei de trânsito caótico, de excesso de pessoas, de luzes que não me iluminam... E, sobretudo, de palavras vazias. Quero-as recheadas com o doce sabor de seu significado! Uma outra festa, agora, espera por mim - e ela já está a acontecer! É bem no alto, onde pulsam as estrelas e colidem-se os meteoros. No alto da mente, no infinito da gente, de todos nós. Que se desatem os nós!


4 comentários:

  1. Os neurônios formam bilhões de caminhos mas, embora estes caminhos consigam representar nossas percepções do mundo exterior eles ainda terminam dentro de nós. Para nos conectarmos verdadeiramente ao outro precisamos de um tipo diferente de sinapse: a sinapse do amor.

    Mas da mesma forma que o homem se utiliza das drogas para ativar artificialmente as sinapses nervosas também nos espreitam as "drogas do amor", oferecendo a ilusão da conexão, mas que, incapazes de manter o fluxo de emoções, esburacam os nossos caminhos emocionais, destruindo, da mesma forma que aquelas outras, o nosso "sistema amoroso".

    Apenas o verdadeiro amor pode perpassar a razão, estabelecendo com o outro a forte conexão, capaz de fluir toda a nossa emoção, que, fluindo neste contínuo, soma-se a este, na forma do amor em que também se transformou.

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