sexta-feira, 22 de julho de 2011

Véspera

Tudo parece tão estranho, nublado... Será que estamos no caminho certo? Não sei, às vezes penso que somos superficiais demais, tolos demais. Eu posso acabar a qualquer hora, e essa ideia causa em mim uma dor irremediável... Vivemos como se já soubéssemos todas as respostas, mas, em verdade, estamos cada vez mais afogados em nossas perguntas. Eu estou presa por fora, sufocada nas avenidas, nos comércios, nas pessoas. Estou presa por dentro, não posso demonstrar o sentimento, sou banida pela circunstância. Não entendo, sou pequena demais, sou pó. É chegada a hora do meu encontro com a Natureza, espero que ela me reverdeça, purifique-me, ajude-me, pois estou por demais reprimida nessa selva de pedras - de corações de pedras.

Que os Anjos consigam demolir muros e construir pontes, descomplicar a vida e amenizar nossos dias. Que, quando eu voltar, a verdade esteja plantada no solo de todos. De todos! Que não tenhamos medo de tentar, que o medo caia e a coragem se levante...


A luz no fim do túnel existe. E um túnel no fim da luz também. Nós escolhemos por qual caminho seguir.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Post de uma garota comum

Se eu uso colorido, sou fã de Restart, se eu uso preto, sou gótica, se estou triste, virei emo, se estou feliz, sou doida. Se como pouco, estou de dieta, se como muito, sou esfomeada. Se dou um fora, sou chata, se aceito, sou fácil. Se estudo, sou CDF e, se não estudo, virei uma à toa... Se eu gosto de ver estrelas, sou romântica, se eu não gosto, sou insensível. Se eu respondo uma pergunta da professora e acerto, gosto de aparecer. Se eu respondo e erro, sou lesada. Se eu não danço numa festa, sou a antissocial, mas, se eu danço, perguntam-me se eu bebi. Se eu gosto de desenho animado, sou infantil, se eu não gosto, sou a sem graça. Se eu sou gordinha, tenho que emagrecer, se sou magra, tenho que ganhar massa. Se eu estou com tudo na medida, ainda assim, tenho que tirar as estrias a laser e dar um jeito de perder as celulites. Se eu não fumo, sou careta. Se eu não me embriago, sou quadrada, mas se eu bebo um gole de vinho, desvirtuei-me. Se eu não gosto de “ficar”, sou a santa, a antiquada, mas, se eu dissesse que gosto, seria a piriguete. Se eu leio muito, sou nerd, se eu não leio, sou a sem cultura. Se choro por amor, sou boba, se não choro, sou fria. Se eu gosto de reggae, sou maconheira, se gosto de rock sou a revoltada. Percebeu? Não temos saída, as pessoas sempre vão nos julgar. Sendo assim, seja quem você quiser. Faça o que você quiser e, ainda que querer não seja poder, queira... Pois todos que, hoje, podem, um dia, quiseram.


quarta-feira, 20 de julho de 2011

A Desconhecida

Aquela que, sem conseguir enxergar o real, transforma o ser distante em ser idealizado. Aquela que, por pureza de alma, como alguns dizem, quer ajudar o "inajudável". Aquela que é um mistério para si mesma. Que é um poço de arco-íris, cujas cores fazem-na brilhar e, todavia, embaraçam o seu olhar. Aquela parteira de Universos sublimes e que, há tempo, vê-se incumbida na missão de assassinar o amor. Aquela que, ainda que inconstante, guarda o equilíbrio das forças opostas dentro de si. Não sei quem é ela, o saber é vão, saber é humano demais para sua complexidade mística. Não sei quem ela é, embora possa senti-la... Sentir-me.




Título: Nenhum

Ao que me parece, eu não consigo cumprir o meu objetivo da imparcialidade textual. Por mais que eu tente, escapam-me as palavras, as quais, até então, estavam ocultas em meu cerne. Os textos mais intensos... Eu, apenas, guardo na gaveta intocável de meu ser. E, ainda que neste Blog só tenha vestígios do meu eu-sentimental, as pessoas insistem em julgar... Por conseguinte, passo a entender melhor o porquê de os grandes escritores de antigamente só obterem o reconhecimento de suas obras após a morte. É isso que vai acontecer comigo. E, enquanto não fecho os olhos para não mais abri-los, tentarei semi-apagar o nível de pessoalidade de meus escritos. Falarei sobre pedras e... Os meus verdadeiros legados ficarão, até o meu fim, escondidos... Proibidos.


terça-feira, 19 de julho de 2011

Limão, coração, amora

Amora, sim senhor! É roxa e tem sabor! Roxo é machucado, coração ralado! Só que, gostinho, ainda tem -   gosto de quem se quer bem! Coração mentiroso e roxo, mas que, ainda, guarda a delícia de ser quem eu sou, guarda o calor interno que o fator externo causou! E o limão é azedo por quê? Porque sua casca é verde: esperança, e a tal não morre nunca! O azedo vem dessa agonia que inunda... Limão em que o verde por fora insiste e o azedo por dentro é triste!

Li (em sua) mão: no coração, amor há. Limão, coração, amora.


Fadassereia

Dores fortes em minha cabeça. O exército diz: Esqueça! E minha guerreira luta tão só! Dores fortes em minha cabeça. "Ainda que eu padeça, amá-lo-ei até ser pó!" Das dores, não falo mais. Alegrai-vos, regiões cerebrais! Esperar não: confiar no amor. Esquecer não: lembrar sem dor. Amor e dor, como sempre, estão a rimar. E o meu remo não para: a guerreira ruma ao mar... Fadassereia serei e sou! 


segunda-feira, 18 de julho de 2011

Árvore Azul


És véu da cachoeira, grama da ribanceira, és garota mineira, garimpeira de estrelas maduras da árvore azul.

domingo, 17 de julho de 2011

Bolinha Risonha

A fama que as mulheres possuem - de falar um pouquinho a mais do considerado aceitável - é perceptível em minha vida de outro modo: com a escrita. Escrevo muito e, por vezes, excedo-me... Esforçar-me-ei para que eu não escreva demais por aqui e, assim, o meu "eu-real" (para ser mais específica, o meu "eu-sentimental") mantenha a discrição  pela qual eu zelo, ainda que uma total imparcialidade de minha parte seja impossível.

Mudo de assunto. Revelo, agora, a emoção ao ver uma pessoa muito especial em cima do palco que, com seu talento inato, enche-me de orgulho... É imensurável minha comoção ao ouvir comentários positivos do público sobre sua atuação... ELA É MINHA IRMÃ! Eis a frase que meus lábios cerebrais anunciaram, mentalmente, a todos que contemplavam minha estrelinha, cujo brilho eu vejo crescer desde a época em que a tal promissora atriz era ainda uma bolinha risonha!

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Palavra Vazia

Convidou-se todo um município para uma festa e ela, simplesmente, não aconteceu. O povo são meus neurônios que, após sinapses de alegria, desnorteiam-se pelo não-festejo. O que os lábios proferem não condizem com as ações, o que transforma o amor numa simples palavra vazia. Se choveu, tem de se molhar. Sem nada, nu em pelo! E, hoje cedo, o céu estava bonito para  eu, nele, voar... Ainda está, com a rainha Luna redondinha lá em cima! Hum... Perder-me-ei por essa imensidão, cansei de trânsito caótico, de excesso de pessoas, de luzes que não me iluminam... E, sobretudo, de palavras vazias. Quero-as recheadas com o doce sabor de seu significado! Uma outra festa, agora, espera por mim - e ela já está a acontecer! É bem no alto, onde pulsam as estrelas e colidem-se os meteoros. No alto da mente, no infinito da gente, de todos nós. Que se desatem os nós!


Fera Inocente

Acendo uma vela. Medito com a face voltada para a chama. Converso com os Anjos - não tenho poder algum, só tenho a prece... E uma força interior que mal cabe dentro de mim! Depois de tanta inquietação, a fé é o que acalma. Em constantes reuniões comigo mesma e com o divino, eu estou, em busca de esclarecimentos, de entendimentos. Eu, a pequenina, cujas asinhas são tão delicadas e frágeis... Só que ainda hão de me voar de novo. Num céu límpido, azul, meu céu! Natureza, prepare a vegetação para minha chegada. Ampare-me com suas verdes folhas verde-esperança, pois sou fera inocente; sou ainda criança.


Luz nas Ruínas

Decadência do Império que é oculto dentro de mim. Cansaço do corpo, desgaste da alma numa guerra de pensamentos, de abstrações sentimentais. E não acaba, a bandeira verde está ainda erguida. O sangue de meus guerreiros psíquicos, todavia, coagula-se a cada contradição sua. Rastro vermelho em minha essência reprimida. Tomaram o meu castelo, o meu rebanho adormeceu. Sou, pois, princesa e pastora. Fada e guerreira. Menina e mulher. E Luz nas Ruínas... 

Palmeiras Imperiais no Império Cinza

Vi-me a caminhar por perto de umas palmeiras imperiais, existentes num quintal próximo à minha casa. Subitamente, regressei há muitas décadas, e encontrei-me numa fazenda lindíssima, em que as plantas e os animais eram os principais habitantes! Corri de braços abertos pelo pasto, em cujas gramíneas deslizavam gotículas serenas d’água! Cheiro de relva... Eu estava a amar minha existência por ali... Tão sublime e... Livre! A minha energia desejava abraçar a energia daquelas palmeiras, contudo, fui engolida pela dimensão atual: um muro cinza e alto separava-me daquelas boas e sábias árvores. Atravessei, pois, uma rua calçada, íngreme, em que passavam carros acelerados. Não pude correr mais. 



quinta-feira, 14 de julho de 2011

Ah, Mar!

As minhas mãos, cujos dedos tremem insistentemente, anseiam por mar: ondas e, logo, areia. Areia essa que há de perpassar por entre os meus dedos. Vaza ao chão, a beira-mar, e retorna ao repouso, mas, daqui a alguns segundos, dançará com seu par, a água!

O coqueiro selvagem acompanha a música do vento que, cada vez mais, acelera o ritmo da natureza. E o Sol... Ele ameniza e aquece o ar, junta-se  com o vento e faz com que seja bom respirar!

Não, meus dedos não tremem mais. Agora, estou calma, tranquilíssima, debaixo dessas folhas verdes. Não quero pensar, pois isso me aflige, desespera-me!

Pensar, ó essa capacidade que me difere dos outros animais... É o que mais me prende no meu eu-humana, que sofre e que se debate a todo tempo com os próprios pensamentos: memórias...